Quarta-feira, Julho 08, 2009


Já não sei o que encerra meu coração,

Sentimento de revolta ou humilhação?

Por ver o homem auto devorar suas crenças,

Suas vestimentas, seu próprio irmão,

Que ambos sejam tal comparação!


O que vale vidas humanas deterioradas por ações insanas?

Desprezo do agora, condenadas nas prosperas auroras,

Mas que prosperidade anseia avançar esta humanidade,

Fazendo da brutalidade artefato da moralidade Já tão imoral.


Com profunda tristeza desabam minhas lágrimas,

Nas correntezas das milhares que choram tais proezas,

De também infames certezas

De ver o mais supremo dos seres dado ao chão

Usando toda fé para buscar a salvação,

E desta forma não vejo de pé um só homem que ponte a razão.


Ah tardes turbulentas que desabe sobe nossas consciências

Essência de paz, que tanto busca nos meros mortais,

Sujeitos a mais e mais tentações como animais irracionais

Vivendo nas ilusões.


Mateus Melo de Andrade.

13/06/2000

Terça-feira, Julho 07, 2009

SOMENTE NÓS

Onde estão os nossos ídolos? Eles fazem falta agora, é como se o tempo em suas sendas estranhas movessem em uma conspiração de renovação (prefiro ver as coisas assim), subtraindo todos, um a um. Engraçado, como suas figuras, a dos ídolos, confundem-se, confundem-se com fantasias, sonhos impossíveis, possíveis sonhos! Tenho ídolos nada contemporâneos, porem, presentes em meus conscientes anos. Sinto como se o mundo perdesse muito de sua fé na humanidade na falta de Ghandi, “...talvez você diga que sou um sonhador, mas não sou o único...”, imagine o mondo sem Lennon? Sem a grandeza de Madre Tereza, sem a articulação de Kennedy, sem a garra de Luther, sem a diplomacia de Vieira de Mello e seu ideal de cidadão do mundo.
Já sonhei acordado anestesiado, totalmente encantado, pela mente de Nietzsche, já delirei contraditando Platão, ébrio devaneio!
Digam-me quem? Ao menos uma vez, seja por qual razão, não tentou o moonwalk? Sim. Ele também repousa, no templo onde além dos muros descansa os imortais!
Como podem calar Cazuza, Renato, Raul, como são vagarosos os domingos sem Senna? Onde estão todos? Esses e muitos outros? Quem serão os próximos?
Tenho receios quanto ao futuro, os ventos sopram incertos, estaríamos sem norte? Entregues a sorte?
Não vejo olhos tão cheios de amores, talvez sejam as dores? Onde estão os abraços os sorrisos? Estariam todos assim tão escondidos? Pois lhes peço que saiam, aconteçam, tome o mundo para si e prevaleçam, enquanto eles não vêm, os ídolos.
Respeitemos as diferenças, as crenças as não crenças, admiremos uns ao outros seres que se dizem humanos, se é que é tão distinto assim, ser humano, quem sabe é título de superioridade? Às vezes soa tão tolo, existe algo mais incoerente? Do que a racionalidade por vezes ausente?
Sejamos ídolos ou fãs, fervor ou marasmo, nobres ou pobres, crentes ou ateus, heteros ou homos, brancos ou negros, ocidentais ou orientais. Sejamos uma pangéia para as mudanças ou então seremos todos tragados por nossa grandiosidade.


Mateus Melo de Andrade.
07/07/2009.